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Roberto Monteiro: 'ninguém vai ter coragem de trabalhar contra as diretas'

02/11/2019 às 10h55 - POLÍTICA

Roberto Monteiro está no olho do furacão de um dos momentos mais importantes da história do Vasco. Presidente do Conselho Deliberativo, tenta emplacar uma mudança estatutária que pode alterar consideravelmente a forma de se fazer política no clube. Dia 8, entre as alterações no texto que rege o Cruz-maltino, está o voto direto do associado para eleger o presidente administrativo.

O novo modelo do estatuto está pronto e prevê mudanças nos critérios de elegibilidade do sócio. E também no tempo necessário para que um integrante do quadro social tenha condição de votar. Em suma, os beneméritos, que sempre tiveram a maior parte do poder na escolha do presidente administrativo, abrem mão desse poder, mas em contrapartida aumenta-se as exigências de tempo de vida política para um sócio estar apto a participar da Assembleia Geral.

- Isso foi chamado pelos beneméritos de cláusula de segurança, de pesos e contrapesos. De certa forma, há um entendimento de que isso é justo - afirmou Monteiro.

O texto está pronto, mas ainda não foi batido o martelo sobre como será essa transição do formato atual - de sócios que elegem membros de conselho, que votam posteriormente na escolha do presidente - para o alterado.

É justamente nesse ponto que os ânimos políticos podem novamente se exacerbar, como aconteceu na reunião da última quinta-feira, quando um bate-boca generalizado fez com que a sessão do Conselho Deliberativo que votaria as contas do primeiro ano de gestão de Alexandre Campello fosse suspensa antes do fim. A Sempre Vasco, por exemplo, defende a votação direta já em 2020 e faz campanha massiva por isso. Outros grupos são mais conservadores e esperam postergar a mudança para 2023. Roberto Monteiro desafia as diferentes correntes do clube a se posicionarem diante da pauta.

- Eu acho que ninguém vai ter coragem de dizer que vai trabalhar contra as diretas. Vamos votar e acho estará todo mundo muito envergonhado, quem tentar trabalhar contra. Essas pessoas não querem ficar com essa mancha no currículo. Isso serve para o conselho inteiro, todos estarão sendo vistos, inclusive eu. Vamos ver como as forças políticas do clube vão se posicionar - afirmou.

Na reunião sobre as contas de 2018, o posicionamento foi beligerante. Alexandre Campello e Euriquinho, filho de Eurico Miranda, por pouco não chegaram à agressão física. Monteiro se defendeu das acusações de que teria tentado atrasar o andamento da sessão para que conselheiros favoráveis à aprovação das contas fossem embora - ele é da ala que, baseada no parecer do Conselho Fiscal, defende a reprovação dos números apresentados por Campello.

Caberá a ele, como presidente do Conselho Deliberativo, determinar uma nova data para a votação das contas. Mas antes, se preocupa com a reforma estatuária:

- Eu acho que se infelizmente levarem torcida organizada para tumultuar do lado de fora, como foi visto quinta-feira, ou uma determinada segurança desqualificada, para atuar no plenário, isso pode atrapalhar. Se essas pessoas acham que não devemos ter diretas, vão prejudicar a sessão. Mas eu espero que não aconteça isso no dia 8. Estamos indo para lá votar algo que é mais uma vez do interesse do clube.

Destaques do novo estatuto

- Aumento de um para três anos no tempo de associação para um sócio poder votar na eleição do clube

- Aumento de cinco para oito anos no tempo de associação para um sócio se tornar elegível ao cargo de presidente, além de ter sido ao menos um vez eleito conselheiro

- Definição da eleição direta: "Art. 51 — São eleitos pela Assembleia Geral, na forma e condições estabelecidas neste Estatuto: o Presidente e o Vice-Presidente da Assembleia Geral; 150 (cento e cinquenta) membros do Conselho Deliberativo, o Presidente, 1º Vice Presidente e 2º Vice Presidente da Diretoria Administrativa".

A transição ainda vai ser definida

Primeira proposta: o novo Estatuto entra em vigor na sua totalidade a partir do momento de sua aprovação pela Assembleia Geral.

Segunda proposta: o novo Estatuto entra em vigor a partir do momento da sua aprovação pela Assembleia Geral, inclusive com a eleição direta, com exceção das novas regras para o sócio eleitor e elegível. Essas passariam a valer somente depois da eleição de 2020.

Terceira proposta: o novo Estatuto entra em vigor a partir do momento de sua aprovação pela Assembleia Geral, com exceção do artigo que institui a eleição direta e as novas regras para o sócio. Neste caso, a eleição do ano que vem seguiria nos moldes atuais - indireta - e a mudança para direta passaria a valer para o pleito de 2023.

Fonte: Globo Online